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VÍDEO: É O FIM DO MUNDO OU O COMEÇO

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A Lei do Deserto

Livro: A Lei do Deserto Página 2

Autor - Fonte: Christian Jacq

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...uer mentira e qualquer calúnia, procurá-lo-iam por todo o Egito. Tinha de ser optimista e deixar o tempo correr-lhe nas veias. Os cinco conjurados encontraram-se na quinta abandonada onde era costume reunirem-se. A atmosfera era de júbilo, o plano desenrolava-se como previsto. Depois de terem violado a grande pirâmide de Quéops e roubado as maiores insígnias do poder o côvado em ouro e o testamento dos deuses, sem o qual Ramsés, o Grande, perdia toda a sua legitimidade cada dia que passava mais se aproximavam do seu objetivo. O assassinato dos veteranos que guardavam a esfinge de onde partia o corredor subterrâneo, que lhes permitira introduzirem-se na pirâmide, bem como a eliminação do juiz Paser eram incidentes menores, já esquecidos. Ainda falta o mais importante disse um dos conjurados Ramsés continua no poder. Não sejamos impacientes. Fala por ti. Falo por todos; precisamos de tempo para assegurarmos as fundações do nosso futuro império. Quanto mais preso Ramsés se sentir, incapaz de agir, consciente da queda, mais fácil se tornará a nossa vitória. Ele não pode revelar a ninguém que a grande pirâmide foi assaltada e que o centro de energia espiritual, o qual ele é o único responsável, já não funciona. Em breve, as suas forças enfraquecerão; ver-se-á obrigado a viver o ritual da regeneração. Quem o obrigará a isso? A tradição, os sacerdotes e ele próprio! É impossível fugir a esse dever. No fim...
da festa, deverá mostrar o testamento dos deuses ao povo! Ou seja, este testamento que está nas nossas mãos. Então, Ramsés ver-se-á obrigado a abdicar e entregar o trono ao seu sucessor. Precisamente aquele que foi designado por nós. Os conjurados sentiam já o sabor da vitória. Ramsés, o Grande, reduzido a escravo, não teria alternativa. Todos os membros da conspiração seriam recompensados segundo os seus méritos e, no futuro, todos ocupariam uma posição privilegiada. O maior país do mundo pertencer-lhes-ia; modificariam as suas estruturas, alterariam o sistema e modelá-lo-iam segundo a sua visão, radicalmente oposta à de Ramsés, prisioneiro de valores decadentes. Enquanto o fruto amadurecia, eles alargavam a sua rede de relações, simpatizantes e aliados. Crimes, corrupção, violência. Nada disto os conjurados rejeitavam. Era esse o preço do poder. CAPíTULO 2 O pôr do Sol rosava as colinas. Àquela hora, Bravo, o cão de Paser, e Vento do Norte, o burro, deviam estar a apreciar a refeição servida por Néféret após um longo dia de trabalho. Quantos doentes teria ela curado, quantos doentes teria ela acolhido na sua casa de Mênfis, com o escritório de Paser no rés-do-chão? Ou teria ela regressado à sua aldeia, na região de Tebas, para aí exercer a profissão de médica, longe da agitação da cidade? A coragem do juiz esmorecia. Ele, que dedicara toda a sua vida à justiça, sabia que a mesma nunca lhe seria feita. Nenhum tribunal reconheceria a sua inocência. Supondo que saía da prisão, que futuro poderia ele oferecer a Néféret? Um velho veio sentar-se ao seu lado. Magro, desdentado, com a pele crestada e enrugada, soltou um suspiro. Para mim acabou-se. Estou muito velho. O chefe tirou-me do transporte de pedras. Ocupar-me-ei da cozinha. Boa notícia, hem? Paser abanou a cabeça. Porque é que tu não estás a trabalhar? perguntou o velho. Não me deixam. Quem é que tu roubaste? Ninguém. Para aqui só vêm os grandes ladrões. Roubaram tantas vezes que nunca sairão da prisão, pois não cumpriram o juramento de não o voltarem a fazer. Os tribunais não brincam com a palavra dada. Achas que procedem mal? O velho cuspiu para a areia. Isso é um caso complicado! Tu estás do lado dos juizes? Eu sou juiz. A notícia de que iria ser posto em liberdade não teria espantado mais o interlocutor de Paser. Estás a gozar? Achas que sim? Esta agora. Um juiz, um juiz de verdade! Olhava-o, inquieto e reverente. O que foi que tu fizeste? Iniciei um inquérito e quiseram calar-me a boca. Deves ter-te metido num lindo sarilho. Eu cá sou inocente. Um concorrente desleal acusou-me de ter roubado o mel que me pertencia. Apicultor? Eu tinha cortiços no deserto, as minhas abelhas davam o melhor mel do Egito. Os concorrentes tiveram inveja, e prepararam uma tramóia na qual eu caí. Durante o processo ene...
seria feita. Nenhum tribunal reconheceria a sua inocência. Supondo que saía da prisão, que futuro poderia ele oferecer a Néféret? Um velho veio sentar-se ao seu lado. Magro, desdentado, com a pele crestada e enrugada, soltou um suspiro. Para mim acabou-se. Estou muito velho. O chefe tirou-me do transporte de pedras. Ocupar-me-ei da cozinha. Boa notícia, hem? Paser abanou a cabeça. Porque é que tu não estás a trabalhar? perguntou o velho. Não me deixam. Quem é que tu roubaste? Ninguém. Para aqui só vêm os grandes ladrões. Roubaram tantas vezes que nunca sairão da prisão, pois não cumpriram o juramento de não o voltarem a fazer. Os tribunais não brincam com a palavra dada. Achas que procedem mal? O velho cuspiu para a areia. Isso é um caso complicado! Tu estás do lado dos juizes? Eu sou juiz. A notícia de que iria ser posto em liberdade não teria espantado mais o interlocutor de Paser. Estás a gozar? Achas que sim? Esta agora. Um juiz, um juiz de verdade! Olhava-o, inquieto e reverente. O que foi que tu fizeste? Iniciei um inquérito e quiseram calar-me a boca. Deves ter-te metido num lindo sarilho. Eu cá sou inocente. Um concorrente desleal acusou-me de ter roubado o mel que me pertencia. Apicultor? Eu tinha cortiços no deserto, as minhas abelhas davam o melhor mel do Egito. Os concorrentes tiveram inveja, e prepararam uma tramóia na qual eu caí. Durante o processo enervei-me. Recusei o veredito a meu favor, pedi um segundo julgamento e preparei a minha defesa com um escriba. Estava certo de ganhar. Mas foste condenado. Os meus concorrentes esconderam em minha casa objetos roubados de uma loja. Provas de reincidência! O juiz nem abriu o inquérito. Foi injusto. No seu lugar, eu teria examinado os motivos dos acusadores. E se fosses para o lugar dele? Se mostrasses que as provas são falsas? Primeiro era preciso sair daqui. O apicultor voltou a cuspir para a areia. Quando um juiz trai as suas funções, não vai em segredo para um campo como este. Nem sequer te cortaram o nariz. Deves ser espião ou coisa parecida. Como queiras. O velho levantou-se e afastou-se. Paser não tocou no caldo aguado do costume. Já não lhe apetecia lutar. O que poderia ele oferecer a Néféret senão a degradação e a vergonha? Seria melhor que ela nunca mais o visse e o esquecesse. Assim, guardaria na memória a recordação do magistrado inabalável, do amante ardente, do sonhador que acreditara na justiça. Deitado de costas, contemplava o céu lápis-lazúli. No dia seguinte desapareceria. Velas brancas vogavam sobre o Nilo. Com o cair da tarde, os marinheiros divertiam-se saltando de um barco para o outro, enquanto um vento norte imprimia velocidade às embarcações. Caíam à água, riam-se, insultavam-se. Sentada na margem, uma jovem não ouvia os gritos dos lutadores. De cabelos acastanhados, rosto...
rvei-me. Recusei o veredito a meu favor, pedi um segundo julgamento e preparei a minha defesa com um escriba. Estava certo de ganhar. Mas foste condenado. Os meus concorrentes esconderam em minha casa objetos roubados de uma loja. Provas de reincidência! O juiz nem abriu o inquérito. Foi injusto. No seu lugar, eu teria examinado os motivos dos acusadores. E se fosses para o lugar dele? Se mostrasses que as provas são falsas? Primeiro era preciso sair daqui. O apicultor voltou a cuspir para a areia. Quando um juiz trai as suas funções, não vai em segredo para um campo como este. Nem sequer te cortaram o nariz. Deves ser espião ou coisa parecida. Como queiras. O velho levantou-se e afastou-se. Paser não tocou no caldo aguado do costume. Já não lhe apetecia lutar. O que poderia ele oferecer a Néféret senão a degradação e a vergonha? Seria melhor que ela nunca mais o visse e o esquecesse. Assim, guardaria na memória a recordação do magistrado inabalável, do amante ardente, do sonhador que acreditara na justiça. Deitado de costas, contemplava o céu lápis-lazúli. No dia seguinte desapareceria. Velas brancas vogavam sobre o Nilo. Com o cair da tarde, os marinheiros divertiam-se saltando de um barco para o outro, enquanto um vento norte imprimia velocidade às embarcações. Caíam à água, riam-se, insultavam-se. Sentada na margem, uma jovem não ouvia os gritos dos lutadores. De cabelos acastanhados, rosto...

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