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Terapia de Regressão de Memória

À Flor da Pele - Margaret Way

Livro: À Flor da Pele - Margaret Way

Autor - Fonte: Margaret Way

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CAPITULO I

Ellenor olhou em direção à mesa onde seu sobrinho estava curvado sobre alguns papéis, que ele examinava com ar sério e atarefado. Não era o momento indicado para se abordar o problema, mas o que fazer? Ela não tinha escolha. O ano letivo terminaria na semana seguinte e a garota não tinha para onde ir. Mesmo que tivesse, Ellenor sen¬tia uma necessidade premente de tomar sob seus cuidados aque¬la pobre órfã. Por breves instantes fechou os olhos. Era uma senhora de cabelos prateados, pele clara e constituição delicada, que encarava a vida com extrema complacência. Era abnegada e sempre dedicara sua vida aos outros, uma espécie de anjo protetor.
Coyne, seu sobrinho, continuava atento aos papéis. Ele agora estava um homem feito. Um rapagão bonito, forte e viril, en¬volto numa aura de poder e autoridade. Não obstante, era um rapaz sensível e bem-humorado,
embora ultimamente mal ti¬vesse tempo para outras coisas que não fosse a fazenda. Isso porque, devido à morte de Justin, Coyne herdara a magnífica propriedade, tendo que arcar com o peso de todas as responsabilidades.
Mandala… o vasto império de criação de gado da família Macmillan, no coração da Austrália, no limiar do deserto. Man¬dala! Ellenor repetiu o nome mentalmente e suspirou fundo, sem fazer barulho para não atrair a atenção do sobrinho. Olhou para a reluzente mesa de mogno, onde ele estava, e relembrou o passado. Ela havia dedicado vinte anos, de sua vida a Mandala, envelhecera ali, dirigindo aquela casa, e, contudo ainda se sentia uma estrangeira numa terra desconhecida. Seu pai costumava dizer que aquele era o lugar mais inóspito, porém, o mais belo da face da terra. Naquela terra estavam os corpos de seu pai e de sua irmã, Sara. Com a morte dela, Ellenor se tornou tutora dos sobrinhos.
Ellenor não podia deixar de concordar que ali daquela região do mundo, tudo era tremendamente vasto, grandioso, forte e exu¬berante, as cores, as secas, o calor e as enchentes que transfor¬mavam tudo de repente num cenário de dilúvio. Para ela a civi-lização se limitava à fazenda e às construções das redondezas naquela região agreste e sem fim de Mandala, que Coyne conhecia como o palma de sua mão. Tanto poder e riqueza num lugar da¬queles! Uma terra atordoante, cheia de miragens, que exercia es-tranha sedução, como se possuísse o poder de hipnotizar.
Uma vez, há muitos anos, ela se perdeu naquela imensidão e, em apenas algumas horas, chegou às portas da loucura. A sorte foi que dois rapazes da fazenda a encontraram logo, Ela nunca se esqueceria daquele dia, das dimensões assustadoras daquela terra, onde a cor predominante era o vermelho. Enor¬mes rochedos avermelhados, formando gargantas estreitas e aterradoras por onde corriam rios caudalosos; as dunas de areia vermelha do deserto e a incrível cor do céu ao pôr-do-sol. O deserto Peã, que depois das chuvas se tornava impressionan¬temente belo… Realmente era uma estranha paisagem, aquela! Ela nunca conseguira se acostumar, embora tivesse conseguido sobreviver naquela terra hostil a mulheres… Era uma terra para homens, onde a força física e a resistência eram as coisas mais importantes. Sara não tinha suportado…
Não era de se admirar que Coyne, aos trinta e dois anos, fosse firme, rude e inflexível como as rochas do deserto povoado de lendas. O próprio Coyne tinha uma certa aparência lendá¬ria… era um Macmillan puro, com sangue celta. Aquela região do deserto estava cheia de nomes escoceses, irlandeses e gale¬ses… homens que tinham sido atraídos pelo desafio do perigo, da aventura, e pela possibilidade de fazer fortuna. Havia muitos nomes históricos e famosos entre eles.
Sob a luz suave do lustre colonial, Ellenor analisava Coyne. A pele bronzeada, os cabelos castanhos claros e lisos, as sobran¬celhas escuras e espessas que se encontravam, o nariz arrogan¬te, os olhos negros, brilhantes e de olhar profundo, sombreados por ...

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