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Terapia de Regressão de Memória

De menina a mulher - Carolyn Davidson

Livro: De menina a mulher - Carolyn Davidson

Autor - Fonte: Carolyn Davidson

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... CAPÍTULO I

Agosto, 1897

— Acho que vou morrer.
Se aqueles olhos não estivessem absolutamente cheios de lágrimas e aquela expressão tão infeliz, Phillippe McPherson poderia até ter achado o comentário engraçado. Mas julgou melhor ajeitar os óculos e pigarrear, atento ao que fazia.
Com certeza, a mulher que se sentava na cadeira, diante de sua escrivaninha, estava em apuros. Mas morrendo? Se a pele clara, os suaves olhos castanhos e os longos cabelos escuros e ondulados fossem alguma indicação de seu estado de saúde, poderia afirmar que ela se encontrava muito bem.
Era verdade que estava um tanto magra, mas não demais. Ainda assim, sua cintura se mostrava um pouco mais grossa do que se poderia supor em sua silhueta esbelta, como numa sugestão de ganho de peso recente.
— Por que está tão preocupada? — ele quis saber, observando-a erguer a mão delicada para
passá-Ia pelo rosto molhado.
Phillippe podia ver que a jovem parecia tensa demais e, de repente, a vontade de sorrir o abandonou. Levantou-se, então, dando a volta na mesa e puxando outra cadeira para se acomodar mais próximo dela.
A garota ergueu o olhar para encará-Io, e seus lábios tremeram, como se estivesse na iminência de uma crise de choro convulsivo.
— Minha mãe morreu depois que sua barriga inchou — explicou ao médico, num sussurro, enquanto colocava a outra mão sobre o ventre. — Eu tinha seis anos, mas me lembro de como a pobrezinha foi emagrecendo à medida sua abdome crescia sem parar, até que, numa manhã, sem mais nem menos, parou de respirar. O dr. McPherson conhecia muito bem o sofrimento quando o confrontava, e constatou que aquela moça precisava muito de conforto. Sua mão direita buscou a dela, apertando-a com gentileza.
— E você acredita que pode estar padecendo do mesmo mal — comentou, com incrível suavidade.
A mulher assentiu, e de imediato mais lágrimas passaram a escorrer por seu rosto meigo.
— Nao tenho me sentIdo muito bem de uns tempos para cá. Faz quase três meses que minha barriga vem crescendo sem parar.
Com toda a experiência que tinha, Phillippe sabia muito bem qual era o problema que afligia a mocinha.
— Há alguma possibilidade de que esteja aumentando sua família? — indagou, gentil.
Ela o encarou com os enormes olhos castanhos muito arregalados e negou com a cabeça.
— Pelo amor de Deus, não! — disse, aflita. Não sou casada, dr. McPherson!
— Bem, isso nem sempre exclui a possibilidade de uma gravidez. Talvez você. — Vacilava, tentando colocar a situação de um modo delicado, para que ela não se ofendesse. — Quem sabe tenha. um namorado?
O rosto delicado e rosado perdeu a cor, e a jovem retirou a mão de entre a dele.
— Não — falou apenas, de um jeito um tanto abrupto, e endireitou as costas, como se procurasse aprumar-se também por dentro. Depois, concluiu:
— Não mais. Tommy Jamison costumava me visitar, mas sua família mudou-se de volta para o Leste há duas semanas e. Bem, meu pai não gostava dele e. agora que devo estar morrendo. não faz diferença. Os pais de Tommy queriam que ele fosse para a faculdade e tivesse uma boa educação.
Da mesma forma, quando a mãe do rapaz olhara para a garota que o filho lhe apresentara, procurara afastá-Io o mais rápido possível do problema que já tinha causado, concluiu o médico.
Phillippe fincou os cotovelos nos joelhos e olhou para as tábuas do assoalho. Não conseguia entender como algumas jovenzinhas podiam ser tão ignorantes em certos assuntos, avaliou, lembrando-se de situações semelhantes que já presenciara. Mas, e quase todas as vezes, o problema era solucionado com um casamento apressado, pressionado por um pai furioso que carregava uma arma.
A situação que tinha diante de si naquele momento, no entanto, não lhe parecia tão simples de ser resolvida.
— Que idade você tem? — quis saber, erguendo o olhar para vê-Ia mais uma vez secando as inúmeras lágrimas ...

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