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VÍDEO: É O FIM DO MUNDO OU O COMEÇO

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Amor no Castelo

Livro: Amor no Castelo Página 2

Autor - Fonte: Christina Dodd

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...obtinha-o. Continuando, perguntou às moças: —Quem a apanhou? —Um homem. Um homem — ofegou uma delas. Mas Heath, a donzela principal, adiantou-se e beliscou o braço da moça. —Fala. Que homem? —Um desconhecido. Ouvi que a donzela pessoal de lady Alisoun murmurava uma prece. Sir Walter exclamou em voz alta: — Um desconhecido levou lady Edlyn? Não se levantou para formular a pergunta, nem deu nenhuma outra amostra de inquietação, e eu confirmei o muito que me desagradava. Dava-se ares de superioridade, mas não era mais que um cavalheiro, ao qual lady Alisoun tinha elevado à categoria de mordomo. Embora se supusesse que era o responsável por manter a segurança nas propriedades da senhora, quase não podia se soltar da mulher o tempo necessário para demonstrar respeito. Ao olhar em torno, vi a mesma expressão de desagrado refletida em todos os semblantes. Contivemos o fôlego esperando a reprimenda de lady Alisoun. Por mais que fosse o paradigma das damas, era capaz de reduzir um homem adulto às lágrimas com umas poucas palavras bem escolhidas. Mas, nesta ocasião, não o fez. Limitou-se a olhar sir Walter com esses olhos de estranha cor, julgando-o para si. Talvez me perguntem como eu sabia, mas sabia, e também sir Walter, porque esse robusto safado das terras baixas ficou de pé a tal velocidade que sua mulher caiu para trás e bateu a cabeça contra uma rocha. Bem merecido, a rameira. Quando sir Walter esteve de pé, desatou-se uma at...
vidade enlouquecida. Organizou partidas de busca, mandando os aldeãos a diversas partes do bosque, a procurar lady Edlyn. Eu também queria ir. Saltava em um pé, agitava a mão e, finalmente, disse, mas ele me negou a honra de me unir à busca. Com esse bufo desdenhoso tão ofensivo, disse que devia ficar com as mulheres. Eu não lhe agradava porque acreditava que eu não sabia qual era meu lugar. Na realidade, eu sabia. Não o ocupava, mas o conhecia. Sir Walter se empenhou em ir pessoalmente com os rastreadores ao ponto onde tinham raptado lady Edlyn. Eles a buscariam e teriam mais oportunidade de encontrá-la, e sir Walter queria participar para impressionar lady Alisoun. A senhora estava sentada sozinha, sobre uma manta, no meio do prado. Usava uma túnica branca bordeada de azul. Não era prática, mas esse dia constituía um símbolo para seu povo. Era como uma antiga deusa da terra e a Virgem Maria ao mesmo tempo, convocando esperanças de um verão próspero, depois de dois longos anos de seca. Sua touca branca se rendia para trás, deixando ver debaixo uma boina azul. Através dos laços da túnica branca se entrevia uma longa camisa azul. Quando ela elevava suas largas mangas brancas, caíam para trás deixando ver o forro azul. A ninguém ocorria pensar se era bonita ou não. Simplesmente, era. Era a senhora. Estava sentada com as costas reta, a expressão serena, as mãos relaxadas sobre o colo. Não disse nada, e ela tampouco, assim reatei a tarefa de limpar a imundície que tinham deixado duzentas pessoas celebrando a volta da primavera. Ao redor, montículos de erva pisoteada emitiam uma fresca fragrância. Cestas derrubadas se derramavam sobre a terra, e as formigas se apressavam a saquear seu conteúdo. Lady Alisoun me ignorou por um momento, e eu quase me esqueci de sua presença. Afinal de contas, eu tinha onze anos, e tinham me deixado com um excesso de sobras de comida que, além disso, tampouco era a de todos os dias. Todas as mulheres tinham usado até o último de suas provisões especiais para este almoço em especial, e tinham preparado pães de mel, frutas confeitadas e aguamel. A princípio, comi com cautela, voltando a guardar a comida nas cestas depois de um ou outro bocado. Mas logo, quando os pássaros e outros animais do bosque começaram a aproximar-se atraídos pelos aromas e a ausência de pessoas, soube que se eu não comesse, o fariam eles. Era um raciocínio enganoso, mas terei que considerar que eu tinha onze anos. De repente, lady Alisoun perguntou: —Lembra-se de minha gata? Eu tinha metido os dedos em um pote de mel abandonado e levava isso à boca, de maneira, que sua pergunta me pegou de surpresa. Meu sobressalto culpado deve ter sido evidente, mas ela não me xingou. Esperou que eu lambesse meus dedos, engoli, e lhe respondi: —Sim, me lembro. —Como não disse nada mais, tampei o frasco com a cortiça, e comentei— Era uma gata muito bonita. —Lembra-se que sempre trazia ratos e os...
r a imundície que tinham deixado duzentas pessoas celebrando a volta da primavera. Ao redor, montículos de erva pisoteada emitiam uma fresca fragrância. Cestas derrubadas se derramavam sobre a terra, e as formigas se apressavam a saquear seu conteúdo. Lady Alisoun me ignorou por um momento, e eu quase me esqueci de sua presença. Afinal de contas, eu tinha onze anos, e tinham me deixado com um excesso de sobras de comida que, além disso, tampouco era a de todos os dias. Todas as mulheres tinham usado até o último de suas provisões especiais para este almoço em especial, e tinham preparado pães de mel, frutas confeitadas e aguamel. A princípio, comi com cautela, voltando a guardar a comida nas cestas depois de um ou outro bocado. Mas logo, quando os pássaros e outros animais do bosque começaram a aproximar-se atraídos pelos aromas e a ausência de pessoas, soube que se eu não comesse, o fariam eles. Era um raciocínio enganoso, mas terei que considerar que eu tinha onze anos. De repente, lady Alisoun perguntou: —Lembra-se de minha gata? Eu tinha metido os dedos em um pote de mel abandonado e levava isso à boca, de maneira, que sua pergunta me pegou de surpresa. Meu sobressalto culpado deve ter sido evidente, mas ela não me xingou. Esperou que eu lambesse meus dedos, engoli, e lhe respondi: —Sim, me lembro. —Como não disse nada mais, tampei o frasco com a cortiça, e comentei— Era uma gata muito bonita. —Lembra-se que sempre trazia ratos e os depositava a meus pés? —Lady Alisoun estremeceu— E eu tinha que lhe demonstrar minha gratidão levantando-os com minhas próprias mãos e levando-os a despensa. A lembrança me fez sorrir, sem poder evitar. —Sinto falta dela — disse a senhora. Tapestry tinha morrido fazia umas semanas, mas eu não tinha prestado muita atenção, depois de tudo, o castelo estava cheio de gatos e cães, e se eu queria acariciar a algum animalzinho, em qualquer momento o encontraria atrapalhando o caminho. Mas lady Alisoun tinha sido especial para a Tapestry e agora compreendia que a gata devia ter sido especial para ela. Enquanto colocava o frasco de mel no cesto e limpava meus dedos pegajosos na túnica, tentava pensar o que poderia dizer. Lady Alisoun não me esperou. —Soube como morreu? Soube. Desgostava-me pensar que alguém pudesse ser tão cruel, e nesse momento me assaltou a fúria porque, ao fazê-lo, essa pessoa tinha ferido lady Alisoun. Essa vez, ela me cravou a vista e repetiu: —Soube o que aconteceu a Tapestry? —Sim, minha senhora. —Limpei meu nariz na manga e reatei a tarefa de encher as cestas. Balbuciei— Alguém a esfolou viva, e a cravou na porta do castelo. —Sir Walter achou que foi casualidade que se tratasse de meu gato preferido. Interrompi-me e a olhei fixo: —Não era? Porque se alguém sabia que era sua gata, significa que esse alguém devia ser um de nós, dos que vivemos com você, e nenhum de nós faria semelhante coisa, minha senhor...
depositava a meus pés? —Lady Alisoun estremeceu— E eu tinha que lhe demonstrar minha gratidão levantando-os com minhas próprias mãos e levando-os a despensa. A lembrança me fez sorrir, sem poder evitar. —Sinto falta dela — disse a senhora. Tapestry tinha morrido fazia umas semanas, mas eu não tinha prestado muita atenção, depois de tudo, o castelo estava cheio de gatos e cães, e se eu queria acariciar a algum animalzinho, em qualquer momento o encontraria atrapalhando o caminho. Mas lady Alisoun tinha sido especial para a Tapestry e agora compreendia que a gata devia ter sido especial para ela. Enquanto colocava o frasco de mel no cesto e limpava meus dedos pegajosos na túnica, tentava pensar o que poderia dizer. Lady Alisoun não me esperou. —Soube como morreu? Soube. Desgostava-me pensar que alguém pudesse ser tão cruel, e nesse momento me assaltou a fúria porque, ao fazê-lo, essa pessoa tinha ferido lady Alisoun. Essa vez, ela me cravou a vista e repetiu: —Soube o que aconteceu a Tapestry? —Sim, minha senhora. —Limpei meu nariz na manga e reatei a tarefa de encher as cestas. Balbuciei— Alguém a esfolou viva, e a cravou na porta do castelo. —Sir Walter achou que foi casualidade que se tratasse de meu gato preferido. Interrompi-me e a olhei fixo: —Não era? Porque se alguém sabia que era sua gata, significa que esse alguém devia ser um de nós, dos que vivemos com você, e nenhum de nós faria semelhante coisa, minha senhor...

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