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A Propriedade

Livro: A Propriedade Página 2

Autor - Fonte: Claudia Dain

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... em Los Angeles, é uma pessoa do leste. Viveu os dez primeiros anos de sua vida em Los Anjos, no vale de São Fernando. Também tinham uma casinha em Malibú. Quando tinha dez anos se mudaram a Nova Inglaterra, a uma pequena cidade de Connecticut. Além disso tinham uma pequena casa de campo junto ao lago na zona rural de Massachussets. Graduou-se na Universidade do Sul da Califórnia e viveu em Los Angeles outros onze anos mais em um antigo bangalô californiano dos anos 50 com seu marido. Agora vive na Carolina do Norte e aprendeu a aceitar o fato de que nunca será uma autêntica sulina, como tampouco será uma verdadeira cidadã da Nova Inglaterra, nenhuma californiana de coração. Vive em uma típica casa colonial sulina com brancas colunas e um alpendre coberto, mobiliada ao estilo tradicional com montões de almofadas nos sofás, mas ainda assim não se sente sulina. CAPÍTULO 01 Inglaterra Inverno de 1155. William, o Brouillard, o novo lorde de Greneforde, não estaria satisfeito com sua recompensa, absolutamente. Isso foi o primeiro que Kendall pensou ao contemplar as terras de seu senhor. Kendall puxou as rédeas para deter o cavalo e deu uma olhada a seu redor enquanto exalava devagar. Dezenove anos de guerra tinham cobrado da propriedade que William havia ganhado por suas mãos. Os campos, que deveriam estar semeados e em bom estado, ofereciam um aspecto baldio, com a terra queimada e salpicada de plântulas de carvalho e cicuta que teimavam em sobreviver. O bosque ia ganhando terreno aos campos arrasados. Aquele bosque que antigamente tinha sido diligentemente dominado e contido até os limites dos campos, avançava agora implacável, invadindo as terras que deveriam ter constituído a principal fonte de mantimentos de Greneforde. Aquele inverno não haveria colheita de milho. Kendall notou a fria dentada de uma forte rajada de vento no rosto, e seu estômago protestou ruidosamente ante o assalto inesperado; sem lugar a dúvidas, aqu ...
la seria uma estação cheia de penúrias. Seguido de perto por seu senhor, Kendall estremeceu ao não ver nenhuma choça. Onde estavam os lavradores? Acaso por isso a terra estava desatendida? Não ficava ninguém para trabalhar os campos de cultivo? Seu estômago voltou a rugir, essa vez mais escandalosamente. De nenhuma forma desejava ser o emissário que levasse a William as notícias de que sua propriedade não era nada mais que um nome inscrito no registro de propriedade na Inglaterra. Como se pretendesse burlar-se dele, Greneforde emergiu subitamente no meio da penumbra com um aspecto alentadoramente sólido. As almeias se erguiam imponentes, inclusive se podia ver uma coluna de fumaça proveniente do interior do recinto amuralhado. A paliçada, apesar de ser de madeira, oferecia um aspecto robusto, e a torre principal era feita de pedra. O estômago de Kendall deixou de rugir: pelo menos o castelo de Greneforde parecia estar em bom estado, mas o que era um castelo em bom estado sem comida para alimentar aos que moravam nele? Justo então uma mulher se materializou entre as almeias, uma mulher no lugar que deveriam ter ocupado homens dispostos a lutar. Escrutinaram um ao outro em silêncio. Por causa da distância que os separava, Kendall não conseguia distinguir seus traços, e havia algo em sua atitude que o acautelava de aproximar-se mais. Kendall podia ver que tinha o cabelo claro e que se mantinha em atitude altiva, com as costas totalmente erguida, o manto que usava era de uma sobriedade indescritível. Continuaram olhando um ao outro com tanta desconfiança como adversários declarados. O modo em que o castelo se materializou subitamente entre a névoa, junto com aquela mulher, resultava quase espectral. A suas costas, seu senhor murmurou algo com evidentes sintomas de mal-estar, e aquele sussurro tirou Kendall de sua efêmera paralisia. —Sou um emissário do rei Henry II da Inglaterra, senhor de Aquitania, Normandia, Maine, Anjou, Turena, Poit ...

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Comentários:
Wery: O começo e muito cansativo. Mas a história é boa. Gostei.
ge: adorei lindo.
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