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A Princesa de Babilônia

Livro: A Princesa de Babilônia

Autor - Fonte: Voltaire

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...APRESENTAÇÃO
A princesa de Babilônia é uma novela de leitura agradável, além de extremamente instrutiva.
Voltaire apresenta, concomitantemente: amor ingênuo e puro, amor carnal, fidelidade e traição,
amizade, ódio, vingança, inveja, prazer e dor, guerras, mortes, ressurreição, afeição e respeito pelos
animais.
O jovem herói Amazam se apaixona por Formosante, a princesa da Babilônia. Julgando-se traído
resolve correr o mundo e Formosante sai em busca dele para desfazer o equívoco e comprovar sua
fidelidade. É o recurso que Voltaire emprega para descrever os costumes e instituições de inúmeras
nações e culturas da antigüidade e, como sempre, criticá-las com ironia e acidez.
O autor, nesta obra, é um pouco parcimonioso em suas irreverências, mas não deixa de ser cáustico
algumas vezes.
Sobre as batalhas, tão freqüentes na antigüidade como hoje, Voltaire é incisivo:
Os homens que comem carne e tomam beberagens fortes têm todos um sangue azedo
e
adusto, que os torna loucos de mil maneiras diferentes. Sua principal demência se manifesta
na fúria de derramar o sangue de seus irmãos e devastar terras férteis, para reinarem sobre
cemitérios.
A respeito da ressurreição, tema que Voltaire tratava com desdém, aqui fala com uma profundidade e
percuciência dignas de meditação:
- A ressurreição, Alteza - disse-lhe a fênix, - é a coisa mais simples deste mundo. Não é
mais surpreendente nascer duas vezes do que uma. Tudo é ressurreição no mundo; as
lagartas ressuscitam em borboletas, uma semente ressuscita em árvore; todos os animais,
sepultados na terra, ressuscitam em ervas, em plantas, e alimentam outros animais, de que
vão constituir em breve uma parte da substância: todas as partículas que compunham os
corpos são transformadas em diferentes seres. É verdade que sou o único a quem o
poderoso Orosmade concedeu a graça de ressuscitar na sua própria natureza.
A mesma fênix demonstra quão ridícula é a pretensão humana de dominar o conhecimento sobre a
origem dos homens e, enfim, de todas as coisas:
- E tu - perguntou o rei da Bética à fênix, - que pensas a respeito?
- Sire - respondeu a fênix, - sou ainda muito jovem para estar informada da antigüidade.
Não vivi mais que uns vinte e sete mil anos; mas meu pai, que viveu cinco vezes essa idade,
me dizia haver sabido, por meu avô, que as regiões do Oriente sempre foram mais povoadas
e mais ricas que as outras. Sabia, por seus antepassados, que as gerações de todos os
animais tinham começado às margens do Ganges. Quanto a mim, não tenho a vaidade de
ser dessa opinião. Não posso acreditar que as raposas de Albion, as marmotas dos Alpes e
os lobos das Gálias venham do meu país; da mesma forma, não creio que os pinheiros e os
carvalhos das vossas regiões descendam das palmeiras e dos coqueiros da Índia.
- Mas de onde vimos então? - indagou o rei.
A princesa de Babilônia
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- Nada sei - respondeu a fênix. - Desejaria apenas saber para onde poderão ir a bela
princesa da Babilônia e o meu querido amigo Amazan.
Insistindo sobre a fragilidade do conhecimento humano, Voltaire, pelas palavras de milorde
"What-then" (milorde Que Importa), habitante de Albion (Inglaterra), afirma:
Com o mesmo espírito que nos fez conhecer e sustentar os direitos da natureza humana,
elevamos as ciências ao mais alto ponto a que possam chegar entre os homens. Os vossos
egípcios, que passam por tão grandes mecânicos; os vossos hindus, a quem julgam tão
grandes filósofos; os vossos babilônios, que se vangloriam de haver observado os astros
durante quatrocentos e trinta mil anos; os gregos, que escreveram tantas frases e tão
poucas coisas, não sabem precisamente nada em comparação com os nossos menores
colegiais, que estudaram as descobertas de nossos grandes mestres. Arrancamos mais
segred...

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